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Os italianos que derrotaram a Apple ao registrar primeiro a marca Steve Jobs

Janeiro 04 / 2018

"Não somos nem ladrões, nem imitões. Como dizia Steve Jobs, parafraseando Picasso, &39;Bons artistas copiam, grandes artistas roubam&39;."



Giacomo e Vincenzo Barbato não têm dúvidas: a marca Steve Jobs pertence a eles, não à Apple, empresa de tecnologia criada pelo empreendedor americano, nem aos herdeiros dele. A European Intellectual Property Office (EUIPO), o instituto da propriedade intelectual da União Europeia, concorda com os irmãos napolitanos, tanto que lhes deu razão no processo judicial que enfrentaram e ganharam contra os gigantes da Califórnia.



Tudo começou em julho de 2012, quando os dois empreendedores decidiram registrar a marca com o nome do célebre pioneiro. "Queríamos criar algo inovador que fosse uma homenagem a um gênio do nosso tempo. Jobs é o Leonardo Da Vinci da modernidade. Fizemos várias pesquisas de mercado e percebemos que a Apple não havia registrado até então o nome do seu fundador."



 





 



"Nós o fizemos e, pouco tempo depois, recebemos quatro pastas recheadas de documentos e uma carta na qual se falava de US$ 1 bilhão de indenização por danos", relembram os irmãos em entrevista à BBC Brasil.



Um bilhão de dólares de danos poderia não representar nada comparado às possibilidades futuras. Basta imaginar a comercialização de um smartphone da marca "Steve Jobs" utilizando o sistema Android, ao invés de iOS, para perceber quanto poderia custar para a Apple esta batalha perdida em termos de imagem.



 



Batalha pelo logotipo



 



Não é uma hipótese absurda, tendo em vista que os empreendedores italianos já anunciaram que a partir de janeiro de 2018 lançarão produtos eletrônicos com a sua marca. Por outro lado, a causa judicial foi ganha e eles tem todo o direito de fazê-lo. "A oposição é rejeitada na íntegra", lê-se no processo concluído em 28 de fevereiro de 2014.



"Nos documentos que chegaram, a Apple ressaltou toda a ligação profissional existente entre a empresa e Steve Jobs. Estranhamente, a Apple não nos condenou pelo nome, mas sim pelo logotipo da nossa empresa", dizem os irmãos.



"Eles contestaram duas coisas: o &39;J&39;, que parecia ser mordido exatamente como a maçã deles, e a elipse no &39;J&39;, que, segundo eles lembra uma folha. Nós, no entanto, criamos nosso logo estudando meticulosamente as normas vigentes. Uma letra não pode ser mordida, não é um fruto. Seriamos malucos se tivéssemos decidido entrar em conflito com a Apple. Foram eles que nos atacaram."



"Agora, porém, criaremos uma linha de produtos eletrônicos de luxo com a marca Steve Jobs, respeitando sua filosofia e também a sua pessoa. Eles deveriam ter pensado nisso antes de nós. Hoje, existe apenas a Apple de Tim Cook, diferente daquela de Steve Jobs", completa Barbato.



Depois de perder a causa em primeira instância na Europa, a Apple decidiu não ir adiante. Assim, os dois irmãos de Arzano, um município de 30 mil habitantes na província de Nápoles, começaram a ampliar as certificações de sua marca em todo o mundo, com atenção especial para países como a Rússia e a China. E essa é uma das razões pelas quais a noticia demorou a se difundir.

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