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Índia Juruna adere ao empreendedorismo para impulsionar as vendas

Abril 21 / 2018

Índia Juruna adere ao empreendedorismo para impulsionar as vendas


Por: ASSESSORIA DE IMPRENSA



Ela trabalhava no município de Colíder quando percebeu que a situação financeira ficou apertada e estava sem dinheiro para comprar as refeições. Olhou para os brincos e colares que estava carregando e decidiu vender. Levou poucos minutos para levantar um bom dinheiro com as peças que tinha na bolsa e foi aí que Maria Yudja, de 33 anos, da etnia Juruna, de São José do Xingu, decidiu empreender comercializando o artesanato que sabe fazer desde pequena. “Eu usava os brincos e colares e percebia que as mulheres na cidade se interessavam. Naquele dia, eu vendi tudo muito rápido e decidi que iria investir nisso”, explica a empreendedora.



Em poucos meses, Maria já comprava a produção das mulheres de várias etnias, para comercializar em feiras e eventos de municípios da região e foi preciso se formalizar como uma microempreendedora individual (MEI) para prospectar novos negócios e alavancar recursos. “As índias trabalham de forma associativa, mas como muitas só falam a língua nativa e deixaram de receber algumas vezes, elas tinham receio de vender. Por isso, eu sempre compro e já pago na hora”.



Com o lucro, Maria não só faz a reposição do estoque como ampliou os produtos para camisetas personalizadas e panelas de barro. “A próxima etapa é definir a marca e pedir uma maquininha de cartão”, disse a empreendedora que irá expor os produtos neste mês, em Brasília.



O olhar contínuo de valorização da produção regional está presente nas iniciativas do Sebrae, que contribui para melhorar a performance de artesãos e indígenas na comercialização de seus produtos. Nos municípios de Juína e de Comodoro, o Sebrae trabalhou no ano passado com professores e em escolas indígenas cursos do Programa de Educação Empreendedora.



No início de abril, Maria Yudja e outros sete índios da Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT) estiveram na sede do Sebrae, em Cuiabá, se informado e formalizando suas empresas. “Alguns são verdadeiras lideranças e atuam como prestadores de serviço. Realizam atividades e oficinas de informação sobre direitos e deveres nas aldeias indígenas do Estado e precisam se formalizar para receber a ajuda de custo”, explicou o presidente da FEPOIMT, Crisanto R. TseremeyWa, da etnia Xavante.



Segundo dados da Fundação Nacional do Índio – Funai, somente em Mato Grosso existem 38 povos indígenas com língua própria, cultura e costumes diferentes. No Brasil, vivem quase 900 mil indígenas, distribuídos em todas as regiões, de 305 etnias diferentes, falando 274 línguas, sendo que existem 69 referências de índios ainda não contatados. 



A ciência indígena está no DNA do Centro Sebrae de Sustentabilidade



As nações Paresí, Bakairi, Myky, Irantxe, Bororo, Umutina e os índios do Parque Nacional do Xingu (Yawalapiti e Kamayurá) influenciaram e inspiraram o arquiteto José Afonso Porto Carrero na criação do projeto arquitetônico do prédio do Centro Sebrae de Sustentabilidade – CSS, localizado em Cuiabá. O prédio recebeu, recentemente, duas premiações mundiais do BREEAM Awards e um dos pontos levados em consideração foi justamente o fato de estar impregnado de DNAs indígenas.



Foi com base na tecnologia utilizada para a construção das moradias desses povos indígenas, feitas com pés- direitos altos, ambientes integrados, frescas durante o dia e retendo o calor durante a noite, que Porto Carrero deu vida ao projeto do CSS e também a outras construções que tem como base a sustentabilidade, como o Memorial Rondon, o Núcleo de Estudos e Pesquisas Tecnologias Indígenas – Tecnoíndia, a Reitoria e Administração Central da UFMT,  a Associação dos Docentes da UFMT – Adufmat, Casa de Saúde Indígena, Ampliação do Centro Cultural da UFMT, Implantação da Usina Solar da Estância Ecológica Sesc Pantanal e o Museu de História Natural de Mato Grosso.



MEI



O processo de formalização do Microempreendedor Individual é rápido e pode ser feito de forma gratuita no Portal do Empreendedor. Artesãos, indígenas ou não, ao se formalizarem como MEI, podem emitir nota fiscal, ter acesso mais fácil a empréstimos, fazer vendas por meio de máquinas de cartão de crédito, entre outras vantagens.



A figura jurídica ainda possibilita comprar matéria-prima com descontos e a participação em licitações públicas. O pagamento dos impostos mensais da empresa é feito por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que pode ser gerado por meio do Portal do Empreendedor e deve ser pago na rede bancária e casas lotéricas até o dia 20 de todo mês.



Outras informações sobre MEI, acesse o Portal do Empreendedor:



 




ASSESSORIA DE IMPRENSA



Jornalistas: Grasielle Miranda e Micheli Silva



 




 

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